Turismo | Santuário de Nossa Senhora do Pilar

A origem da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, confunde-se com a história da cidade, fundada em 1714. Ganha importância por sua antiguidade. Foi tombada pelo Patrimônio Histórico do Paraná em 1999.

 

A tradicional e centenária Igreja de Nossa Senhora do Pilar em Antonina, foi elava à condição de Santuário pela Diocese de Paranaguá, em reconhecimento pelos milagres e graças alcançadas por católicos da cidade. A celebração que consagrou a nova titulação oficial foi realizada pelo bispo da diocese de Paranaguá, Dom João Alves Santos, no dia 15 de agosto de 2012, dia da Padroeira na cidade.

 

História

 

Desde o início do século XVIII, a Vila de Antonina, está intimamente ligada com a Capela de Nossa Senhora do Pilar. O culto a esta deve-se, segundo a tradição, pela devoção de três irmãs as quais, celebravam terços e rezas à Nossa Senhora do Pilar, festejada todos os anos no dia 15 de agosto, reunindo mineiros, faiscadores e lavradores das regiões vizinhas ao sítio da Graciosa.

 

O sargento tomou parte neste culto, alistando-se entre os devotos; e projetou, desde logo, erigir uma capela, onde fosse venerada, com maior decência, a padroeira do bairro, concertando o templo. Eram 60 os moradores das vizinhanças, inclusive os dos cubatões dos Três Morretes; e todos, de boa vontade, prometiam ajudar ao senhor do sitio da Graciosa em seu empenho.

 

Assim o empreendimento, pela edificação da Capela, como também, os resultados que traria para uma futura vila, foi por Valle Porto. A tenacidade do Sargento-mor ia removendo todos os obstáculos e contribuições para perpetuar a sua meritória obra na fundação de uma nova Freguesia.

 

Manoel Valle Porto obteve a provisão de licença para a construção da capela com o bispo do Rio de Janeiro, D. Francisco de São Jeronymo, a 12 de setembro de 1714. Com a Capela-mor pronta, inaugurada em 11 de junho de 1715, seriam necessárias outras providências como a criação do Curato. São feitas as solicitações pelo Sargento-mor e pelos moradores para o vigário de Paranaguá, Pe. Pedro da Silva Pereira, e também para o bispo que atende a solicitação do cura, e ao mesmo tempo, baixa a provisão que cria a Freguesia de Nossa Senhora do Pilar, em 2 de maio de 1719.

 

A conclusão do corpo da matriz se deu com a celebração da benção da igreja a 14 de agosto de 1722. Para efetivar a construção da Capela, foi utilizada mão-de-obra escrava, já que neste período, o Brasil caracterizava-se pelo sistema escravocrata, e especificamente, Valle Porto, era o responsável da construção, como também, era: senhor de numerosa escravatura.

 

Ainda é necessário ressaltar, de acordo com Ermelino de Leão, o fato de que o Sargento-mor doou parte de sua sesmaria ao patrimônio da Igreja. Atualmente, o registro cartorário da propriedade está em posse da Mitra Diocesana de Paranaguá, constando uma área de 4.808,20 m2 e, devido a sua secularidade, o título de transmissão apresentou-se por usucapião.

 

O padre Francisco de Borja, que atuou no período de 1751 a 1760, ficou conhecido como um dos mais zelosos curas da Igreja. Este padre foi quem organizou a documentação da Matriz, resultando no que se conhece hoje por “Folhas Avulsas de Antigos Livros da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Antonina” (em anexo). Ele também relatou sobre a Vila de Antonina, nesta época, e como estava a Igreja: “Em 1748 a igreja somente tinha o altar-mor onde além de venerada imagem da padroeira, estavam as de Sant’Ana, São Benedicto e do Senhor Crucificado. Somente a capella-mór era forrada por cima de taboado a por baixo ladrilhada de tijolos”.

 

O padre Borja, ainda realizou todo o levantamento de utensílios pertencentes a Igreja, ornamentos das imagens e, pelas descrições, não havia torre, pois o sino encontrava-se na sacristia.

 

Já no século XX, no ano de 1923, a matriz é literalmente fechada devido ao seu estado de precariedade. As imagens dos santos e seus respectivos altares foram transferidos para a Matriz provisória: a Igreja de São Benedito. Com a nomeação do padre Bernardo Peirick para a paróquia (29/04/1926), a Igreja passou pela primeira grande reforma que se tem conhecimento. No jornal O Antoninense (15/08/73), foi publicado o relato do padre Peirick sobre a penúria da Igreja: “Ao chegar, encontrei a Matriz fechada, completamente abandonada. O interior da mesma apresentava uma verdadeira ruína, sem assoalho e forro, privada de altares, montões de pedra, taboas e vigotes podres”.

 

Uma parte da parede achava-se aberta, por onde entrava chuva. Na sacristia encontrava-se um armário com gavetas demolidas e um montão de tijolos, telhas e cal, cujo peso tinha afundado o soalho. O pátio da Matriz assemelhava-se um verdadeiro matagal, abrigo de muitas cobras venenosas. Ainda de acordo com este artigo, o construtor responsável pela reforma da Igreja foi Hermínio S. Commanduli, que executou o trabalho pela quantia de CR$ 17.500,00. A obra iniciou em agosto de 1926 e o seu término se deu em 26 de fevereiro de 1927, com muitas solenidades e com a transferência da imagem da padroeira para a Matriz restaurada.

 

A segunda grande reforma que se tem referência foi em 1952. Na placa comemorativa é agradecida Alcides Estevão de Carvalho por sua “valiosa contribuição” (15/08/52). Nesta restauração, de acordo com fontes orais, as esquadrias de madeira foram substituídas por vitrôs, o telhado ficou mais alto, o piso passou a ser cerâmico, as paredes perderam seus afrescos, entre outras mudanças. A casa ao lado da Igreja, construída pela Congregação Redentorista, já é mais recente, da década de setenta. Teve por objetivo abrigar a Casa Paroquial e a Secretaria. Por outro lado, acabou interferindo na paisagem do morro com a própria Igreja, composição esta, que serviu de inspiração e beleza para muitas pinturas, fotografias e, mesmo até hoje, como cartão postal de Antonina

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